A expressão “Violência doméstica contra a mulher” se refere a qualquer ato de violência que tenha por base o gênero, que resulta ou pode resultar em dano ou sofrimento de natureza psicológica, física, moral ou patrimonial.
Assim conceitua, Chauí sobre a violência:
“Entendemos por violência uma realização determinada das relações de força, tanto de classes sociais quanto em termos interpessoais. (...) como uma ação que trata o outro não como sujeito, mas como coisa. Esta se caracteriza pela inércia, pela passividade e pelo silêncio, de modo que, quando a atividade e a fala de outrem são impedidas ou anuladas, há violência.”
É a herança cultural que historicamente legitima o homem ao exercício do poder sobre a mulher produzindo contra ela um terrorismo com centenas de assassinatos, agressões físicas, morais e psíquicas.
E desta maneira ficam as mulheres em desvantagem com relação aos homens, porém vivemos mudanças históricas, onde os homens estão sendo convidados a participarem destas transformações.
Com o objetivo de diminuir as discriminações, que agravam os efeitos da violência doméstica contra as mulheres em pleno século XXI.
O que evidencia, que a violência contra a mulher é um problema mundial oriundo do poder, privilégio e controle masculino, que atinge mulheres de todos os níveis, com efeito social, pois afeta o bem estar, segurança, possibilidade de educação, desenvolvimento pessoal e psicológico dessas mulheres e por conseqüência de seus filhos.
Uma vez que elas estão morrendo por constituírem um grupo mais exposto a um ciclo que começa com uma simples ameaça e estende-se a um revólver ao alcance da mão, por falta de políticas públicas, que tornam o estado inoficioso na prestação de serviços policiais com resultados constantes de impunidade e reincidências de agressões e assassinatos em nossa sociedade.
No entanto este ciclo está sendo quebrado, embora costumes e cultura ainda continuem esperneando para prevalecer.
Com a promulgação da Lei Maria da Penha nº 11.340/06, que considerada a violência como crime, e que passou a ser firmemente combatida pelos movimentos feministas buscando, então a inversão de valores com o objetivo de mudar o que é cultural, através da implantação de novas políticas públicas que visem o combate, a assistência e principalmente a prevenção da violência contra a mulher, de forma eficaz.
Pois de nada adianta um espaço para se fazer as denúncias se estes espaços ainda são carentes para a prestação de um serviço eficiente, devido à cultura de que nos problemas pessoais e domiciliares não cabe a intervenção de terceiros, muito menos do Estado, que precisa fazer um ataque rigoroso a ideologia da superioridade do homem em relação à mulher.
Neste sentido é o movimento feminista que vem redesenhando novas condutas nas mulheres, capacitando-as a assumir valores a fim de reagir na prática contra a violência doméstica e de gênero, que se agravou com a industrialização e ampliação do mercado de trabalho, aumentando a exploração e exclusão da informação.
Portanto para as relações de gênero, que esta explicitamente ligada à organização social da relação dos sexos contra o determinismo, que legitima a subordinação, a desigualdade e a exclusão da mulher, cuja conscientização é fruto do movimento feminista que se iniciou por volta de 1970, e que vem buscando efetivar novas políticas públicas voltadas a uma reeducação dos indivíduos para uma nova constituição social.
Concluímos que esta reconstrução só se fará possível com a União das Instituições estabelecidas pela sociedade: “Escolas, família, Estado, Igreja e Universidades juntamente com as categorias sociais das relações afetivas: HOMEM E MULHER.
Com a discussão de pautas políticas inerentes à situação da violência contra a mulher com os indivíduos da sociedade em conexão com os diversos setores sociais para novas práticas culturais, que resultarão em uma nova realidade para o gênero.
De forma que essas mulheres deixem de ser vítimas para tornarem-se agentes de mudanças e transformação através de trabalhos sociais e educacionais.
Dentro de uma visão Psicanalítica, compreende-se que toda mudança decorre do romper com o silêncio, pois dar voz ao sofrimento é possibilitar a oportunidade para se pensar sobre o assunto, e assim encontrar uma possibilidade do indivíduo sair do estado de sofrimento em que vive.
É através do reconhecimento e da conscientização, que se inicia o movimento de mudança, e a denuncia é um caminho primordial para o enfrentamento, que irá desautorizar a Violência masculina.
Sendo este um sintoma complexo da sociedade, é necessário que se faça a intervenção de um terceiro nessas relações, através de um profissional que venha intervir, dar suporte e supervisionar estas relações para provocar mudanças efetivas nos comportamentos.
Através da reeducação dos gêneros que terá como conseqüência a mudança cultural necessária para a eliminação da violência, pois os questionamentos causam mudanças e estas mudanças se refletirão na Educação dos filhos e por conseqüência uma mudança comportamental da sociedade, pois se não há mudança, o que resta: É a repetição.
Por : Leila Sl Ribeiro Uzum 23/05/2011
Referências Bibliográficas:
Grossi, M. P. & Adelman, M. – “Entre a Psicanálise e a Teoria Política; um diálogo com Jane Flex”. Revista Estudos Feministas, v. 10, no 2, Florianópolis, 2002.
Chauí, M., “Participando do debate sobre mulher e violência”, in Cardoso, R. et al., Perspectivas antropológicas da mulher. RJ, Zahar Editora, p. 35.
Portella, A. P. – Violência contra as mulheres – Um breve contexto e algumas questões políticas. Texto apresentado na XI Reunião Nacional da Associação de Mulheres Brasileiras – Brasília, 2004.

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